A saúde pública capixaba vive um marco importante: pela primeira vez no Espírito Santo, uma equipe do SAMU-192recebeu capacitação específica em Hemofilia e Coagulopatias – Diagnóstico, Cuidado e Inovação, iniciativa que une ciência, formação profissional e atenção humanizada.
Por Juba Paixão
Mais do que um curso técnico, a ação representa a evolução na forma de tratar doenças raras, oferecendo segurança, autonomia e esperança a pacientes e famílias.
A capacitação, realizada em Ibiraçu/ES em parceria com o COREN-ES e a Associação dos Hemofílicos do Espírito Santo, tornou o SAMU-192 CIM Polinorte o primeiro do estado a receber treinamento especializado no manejo das deficiências de coagulação.
O foco foi levar aos profissionais conhecimento sobre as características da doença, os medicamentos disponíveis e a autonomia do paciente na manipulação e aplicação, além de protocolos de segurança que elevam a qualidade do atendimento em situações emergenciais.

Trata-se da primeira capacitação dedicada ao tema no Espírito Santo, reforçando a vanguarda do estado em saúde pública.
Desafios do Brasil e do Espírito Santo
A hemofilia é uma doença hemorrágica rara que exige tratamento contínuo e especializado. O Brasil possui cerca de 13,9 mil pacientes diagnosticados, sendo o 4º maior país em número de portadores no mundo. O tratamento é garantido principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que fornece fatores de coagulação e acompanhamento multidisciplinar.
Entretanto, muitos pacientes ainda enfrentam dificuldades de acesso à medicação e à orientação médica adequada, comprometendo sua qualidade de vida com dores crônicas, sequelas físicas e limitações sociais. Dados recentes mostram que, mesmo com avanços como a produção nacional de fator VIII pela Hemobrás, persistem desigualdades regionais no cuidado.
Nesse contexto, a iniciativa no Espírito Santo é um exemplo positivo de como a capacitação contínua pode preencher lacunas e garantir respostas rápidas e eficazes em situações de urgência.
Relevância da capacitação
Além da atualização técnica, a formação reforça a missão do SAMU de salvar vidas com rapidez e precisão. Para os pacientes, representa mais dignidade e menos riscos em emergências hemorrágicas. Para os profissionais, abre caminho para novas práticas baseadas em inovação científica.
O pioneirismo do Polinorte deve ser replicado em outros polos do estado, estimulando a criação de uma rede capilarizada de atendimento especializado. Além disso, é fundamental que políticas públicas fortaleçam o diagnóstico precoce, ampliem o acesso à profilaxia e incentivem a chegada de medicamentos inovadores.
Outro desafio é promover a conscientização social e combater preconceitos, mostrando que a inclusão e o direito ao cuidado integral são pilares de uma sociedade justa.
A capacitação do SAMU-192 Polinorte em hemofilia e coagulopatias é um marco para o Espírito Santo. Ela simboliza como a união entre ciência, inovação e compromisso humano pode transformar o cuidado em saúde. O estado se posiciona, assim, não apenas como pioneiro, mas como referência em práticas que unem técnica, compaixão e esperança para pacientes com doenças raras.
Fontes:
Coren-ES: capacitação pioneira ao SAMU-192 CIM Polinorte (coren-es.org.br)
Even3: curso sobre coagulopatias raras (even3.com.br)
Ministério da Saúde: dados sobre hemofilia no Brasil (gov.br)
Agência Brasil: dificuldades de acesso de pacientes (agenciabrasil.ebc.com.br)