Novo ciclo do empreendedorismo no Espírito Santo consolida o estado entre os mais dinâmicos do país.
Por Juba Paixão
O Espírito Santo vive um novo ciclo de expansão econômica ancorado na tecnologia e na modernização do ambiente de negócios. Entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, o estado registrou números recordes na abertura de empresas e consolidou-se como um dos mais ágeis do Brasil para formalização de novos empreendimentos.
Dados divulgados pelo Governo do Espírito Santo e por levantamentos do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES) indicam que, apenas no primeiro semestre de 2025, foram abertas 16.285 novas empresas, um crescimento de 19% em relação ao mesmo período de 2024.

A tecnologia como motor do crescimento
O avanço não se explica apenas pelo volume de novos negócios, mas pela transformação estrutural do ambiente empreendedor. O Espírito Santo reduziu o tempo médio para abertura de empresas para cerca de 11 horas, tornando-se um dos estados mais rápidos do país nesse indicador, enquanto a média nacional gira em torno de dois dias, segundo dados da Receita Federal do Brasil e da Junta Comercial.
Essa agilidade é resultado direto da digitalização de processos, integração de sistemas e simplificação administrativa. Plataformas conectadas entre Junta Comercial, Receita Estadual e municípios permitiram eliminar etapas presenciais e reduzir entraves burocráticos, um diferencial competitivo relevante em um cenário nacional historicamente marcado por excesso de formalidades.
Estudos apontam que a modernização tecnológica da gestão pública criou um ambiente mais previsível e atrativo para investidores e empreendedores, especialmente em setores ligados a serviços digitais, comércio eletrônico e atividades de base tecnológica.
MEI e digitalização ampliam inclusão produtiva
A maior parte dos novos negócios continua concentrada no modelo de Microempreendedor Individual (MEI), que se fortalece como porta de entrada para formalização. Muitos desses empreendedores atuam em atividades digitais, marketing, tecnologia da informação, logística urbana e serviços especializados.
Além disso, o crescimento do ecossistema de inovação, com hubs tecnológicos, startups e programas de aceleração, ampliam o protagonismo da tecnologia no cenário econômico capixaba. O estado também se beneficia da expansão de setores estratégicos como petróleo, gás e serviços, que demandam soluções tecnológicas e cadeias produtivas mais sofisticadas.
Cidades-polo lideram abertura de empresas
No recorte municipal, Vitória, Vila Velha e Serra concentram a maior parte das novas empresas abertas em 2025. A combinação entre infraestrutura urbana, acesso a serviços digitais e proximidade com polos industriais reforça o dinamismo dessas cidades.
Crescimento acima da média nacional
Projeções econômicas divulgadas pelo Governo do Estado ao longo de 2025 indicaram estimativa de crescimento do PIB capixaba em torno de 3%, desempenho acima da média brasileira no período. O resultado é atribuído à combinação entre ambiente favorável ao empreendedorismo, digitalização administrativa e expansão de setores estratégicos.
Embora o posicionamento exato em rankings nacionais possa variar conforme o recorte mensal ou trimestral da Receita Federal e do Sebrae, os indicadores consolidados apontam o Espírito Santo entre os estados com melhor desempenho proporcional na abertura de pequenos negócios.

Brasil mantém protagonismo no empreendedorismo
No cenário nacional, o Brasil segue entre os países com elevada taxa de atividade empreendedora, segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), principal estudo internacional sobre o tema. O levantamento mostra que o país mantém participação expressiva da população adulta em negócios próprios, embora ainda enfrente desafios estruturais como acesso a crédito, carga tributária e necessidade de qualificação em gestão e inovação.
Fontes:
Governo do Espírito Santo – Comunicados oficiais e balanços econômicos 2025.
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/ES) – Relatórios de abertura de pequenos negócios e análises regionais (2024–2025).
Receita Federal do Brasil – Base pública de registro de empresas e dados comparativos por estado.
Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – Relatórios nacionais e internacionais sobre empreendedorismo.


