16 de março de 2026
Vitória, ES, Brasil

Espírito Santo abre 2026 com o segundo maior crescimento industrial do Brasil

Produção industrial capixaba avança 14,5% em janeiro e mantém o estado entre os líderes do desempenho industrial nacional.

Por Juba Paixão

Espírito Santo iniciou 2026 entre os protagonistas da indústria brasileira. A produção industrial capixaba cresceu 14,5% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2025, e registra o segundo maior avanço do país no período. O resultado reforça a posição de destaque do estado no cenário nacional, após encerrar 2025 na liderança do crescimento industrial entre os estados brasileiros.

Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada na última sexta-feira (13) pelo IBGE e compilada pelo Observatório Findes, mostram que o desempenho da indústria capixaba ficou muito acima da média nacional, que registrou alta de apenas 0,2% em janeiro. O resultado foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que avançou 21,2% no período, com destaque para o aumento da produção de gás natural (+16,4%).

indústria de transformação também contribuiu para o resultado positivo, com crescimento de 2,3%. O avanço foi puxado principalmente pela metalurgia, que registrou alta de 13% na produção — o maior crescimento desde março de 2022 — e pela fabricação de produtos de minerais não metálicos, que avançou 8,7%.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes)Paulo Baraona, o primeiro resultado da produção industrial do ano confirma a continuidade do ciclo positivo vivido pela indústria capixaba.

O Espírito Santo encerrou 2025 na liderança dos estados com a maior produção industrial do país e começa 2026 mantendo essa expansão. Vale destacar o crescimento da indústria extrativa, que tem um papel estratégico nesse desempenho e foi determinante para os bons números do Espírito Santo no ano passado”, afirma.

Segundo Baraona, o desempenho da indústria de transformação também merece destaque.

Esse é um segmento muito importante para o estado, porque mostra que, além de produzirmos, estamos entregando produtos com maior valor agregado”, acrescenta.

No ranking nacional da produção industrial em janeiro de 2026, os cinco estados com maior crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior foram:

Produção de gás natural impulsiona indústria extrativa

Entre as atividades do setor extrativo, a produção de gás natural se destacou, alcançando 4,4 milhões de metros cúbicos por dia, um aumento de 16,4% em relação a janeiro de 2025.

Já a produção de petróleo no Espírito Santo foi de 159 mil barris por dia em janeiro, o que representa uma queda de 5,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com o gerente de Ambiente de Negócios do Observatório FindesNathan Diirr, fatores operacionais ajudaram a explicar essa redução temporária.

Em dezembro houve uma parada operacional do navio-plataforma Maria Quitéria, que opera na Bacia de Campos, no litoral sul capixaba, o que impactou temporariamente a produção de petróleo. Ainda assim, aconteceu um aumento significativo na produção de gás natural por outras plataformas, o que contribuiu para manter o bom desempenho da indústria extrativa no Espírito Santo”, explica.

Mesmo sem a produção do FPSO Maria Quitéria, o campo de Jubarte, operado pela Petrobras, registrou aumento de 6,6% na comparação interanual, impulsionado pela maior produção da plataforma P-58 (+41,2%) e do FPSO Cidade de Anchieta (+13,5%).

Metalurgia impulsiona indústria de transformação

metalurgia foi o principal destaque da indústria de transformação em janeiro, com crescimento de 13% na comparação com o mesmo mês de 2025. Em termos de nível de produção, o resultado representa o maior patamar registrado desde março de 2022.

O avanço foi impulsionado pela maior produção de ferro-gusabobinas a quente de aço e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço.

Para a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório FindesMarília Silva, o desempenho está associado ao dinamismo do comércio exterior e à recomposição da demanda do setor.

Esse desempenho da metalurgia pode estar associado a estratégias operacionais das empresas instaladas no Estado, como recomposição de estoques e aumento de pedidos, tanto no mercado interno quanto no externo. Um indicativo desse movimento é o crescimento das exportações do setor capixaba no início do ano”, explica.

Dados do comércio exterior mostram que as exportações da metalurgia capixaba cresceram 24,2% em valor e 42,4% em volume no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Cenário econômico

Apesar do início positivo de 2026, o cenário econômico global segue marcado por incertezas. De acordo com Marília Silva, o ambiente internacional exige atenção nos próximos meses.

Antes mesmo do acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio em março, o ambiente global já era marcado por incertezas, especialmente relacionadas às disputas comerciais e à volatilidade nos mercados de commodities, entre elas o petróleo, e de capitais”, afirma.

O presidente da Findes, Paulo Baraona, destaca que os conflitos internacionais podem gerar impactos indiretos para a economia capixaba.

De forma geral, esse cenário pode provocar, além da alta do preço do petróleo, aumento dos custos do frete internacional das diversas cargas que o Espírito Santo exporta, bem como daquelas destinadas ao nosso mercado importador. Esses custos repassados pelas companhias marítimas aos importadores e exportadores tendem a ser transferidos para os produtos comercializados. Para as importações, isso significa insumos e produtos mais caros no mercado nacional. Já para as exportações, pode impactar na competitividade dos nossos produtos no mercado externo”, avalia.

Fonte:

Comunicação Institucional do Observatório Findes

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