7 de março de 2026
Vitória, ES, Brasil

Do home office à inteligência artificial: os novos rumos do trabalho

Nesta segunda-feira (08/09), o Itaú Unibanco promoveu uma demissão em massa que atingiu cerca de mil funcionários em home office ou regime híbrido, segundo estimativas do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Por Juba Paixão

O banco justificou os cortes com base em uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto”, apontando “padrões incompatíveis” com seus princípios de confiança, observados após monitoramento prolongado. A notícia circulou em grandes jornais brasileiros, como IstoÉ Dinheiro, Carta Capital, SP Bancários, entre outros portais de notícias.

No Brasil e no mundo, casos semelhantes já ganharam repercussão. A Dell, por exemplo, encerrou o modelo híbrido para funcionários que vivem próximos aos escritórios, exigindo cinco dias presenciais por semana. Já a Paramount Skydance determinou que, a partir de janeiro de 2026, todos os colaboradores retornem integralmente ao escritório, oferecendo pacotes de desligamento para quem optar por não se adequar.

Nos Estados Unidos, a discussão ganhou ainda mais força no setor público. Pesquisa da Gallup revelou que a proporção de servidores federais trabalhando totalmente presencial subiu 30 pontos percentuais, alcançando 46%, após o governo determinar retorno ao escritório como forma de elevar a produtividade.

Pesquisas apontam contradições

O tema divide opiniões entre empregadores e trabalhadores. Pesquisas da Stanford University, em parceria com o Federal Reserve Bank of Atlanta, mostram que mandatos de retorno não alteram substancialmente o volume de trabalho remoto. Já estudo global realizado pela Zoom em conjunto com a Reworked INSIGHTS, com 600 líderes e 1.900 trabalhadores, aponta que 83% dos profissionais se sentem mais produtivos em modelos híbridos ou remotos.

Outro levantamento da Accenture reforça a preferência: 83% dos colaboradores querem manter algum nível de flexibilidade, trabalhando de forma híbrida de 25% a 75% do tempo. No entanto, pesquisa internacional da Unispace, que ouviu 9.500 funcionários e 6.650 empregadores em 17 países, mostra o outro lado: 72% das empresas já exigem retorno ao escritório, muitas enfrentando aumento da rotatividade após essa decisão.

O impacto no Brasil e no Espírito Santo

No cenário nacional, a adoção de políticas rígidas de retorno também reflete nos estados. O Espírito Santo, que tem um dos polos mais dinâmicos de tecnologia no país, precisa equilibrar a tendência global com a realidade local. Empresas capixabas, especialmente do setor de TI e inovação, utilizam o modelo híbrido como forma de atrair talentos em um mercado altamente competitivo. Uma eventual onda de retorno total ao presencial poderia reduzir essa vantagem estratégica.

Para o diretor-presidente da Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on), e Professor Titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luciano Raizer, o desafio está em equilibrar inovação, flexibilidade e respeito, para que o futuro seja mais humano, justo e sustentável.

O que estamos vivendo é um momento de transição entre o passado e o futuro do trabalho. O chamado ‘novo normal’ não pode ser um retrocesso, mas sim uma oportunidade de evoluir. As empresas precisam compreender que a produtividade não está apenas no espaço físico, mas na forma como a inovação e a confiança são cultivadas. O Espírito Santo tem mostrado que o modelo híbrido e flexível fortalece o ecossistema de tecnologia, atrai talentos e cria valor para toda a sociedade. Nós, da Act!on, estamos atentos a esse processo”, destacou Raizer.

Além disso, o crescimento da Inteligência Artificial (IA) acrescenta novas variáveis ao debate. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, entre 26% e 38% dos empregos da América Latina podem ser expostos à IA generativa, o que pode ampliar desigualdades regionais. Nesse contexto, manter modelos flexíveis de trabalho se torna também um fator de inclusão produtiva.

O futuro ainda em disputa

Pesquisas como a da ResumeBuilder, que mostra que 87% das empresas que adotaram o trabalho remoto na pandemia já retornaram ao presencial ou planejam fazê-lo até 2025, indicam que a tendência é forte. Porém, especialistas defendem que não há solução única: cada organização deve equilibrar cultura, produtividade, custos e bem-estar dos funcionários.

O desafio, para empresas e governos, será encontrar o ponto de equilíbrio entre inovação, tecnologia e relações humanas. No Espírito Santo, onde setores como tecnologia e indústria crescem com base em competitividade e adaptação, o modelo de trabalho pode se tornar um diferencial decisivo para o futuro do mercado.

Fontes:

Comunicação Institucional da Act!on

IstoÉ Dinheiro;

CartaCapital;

SPBancarios;

Stanford University;

Federal Reserve Bank of Atlanta;

Zoom & Reworked INSIGHTS;

Accentur;

Unispace;

ResumeBuilder.com

Gallup;

Reuters;

The Verge; Business Insider

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