13 de fevereiro de 2026
Vitória, ES, Brasil

Pesquisa Microsoft: IA avança sobre carreiras baseadas em informação

Estudo analisou 200 mil interações com o Copilot e mostra que profissões baseadas em linguagem lideram ranking de exposição à inteligência artificial.

Por Juba Paixão

As profissões que mais dependem de linguagem, informação e comunicação são hoje as mais expostas à inteligência artificial generativa. É o que revela um levantamento da Microsoft Research, que analisou mais de 200 mil conversas anonimizadas com o Bing Copilot.

O estudo divulgado no portal Visual Capitalist mapeou como a IA vem sendo usada em tarefas reais de trabalho e criou um ranking com as 40 ocupações mais impactadas, considerando três critérios: frequência de uso da IA nas tarefas da profissão, taxa de sucesso na execução e grau geral de aplicabilidade.

O resultado mostra que intérpretes e tradutores lideram a lista, seguidos por historiadores, profissionais de atendimento ao cliente, representantes de vendas de serviços, escritores e autores. Jornalistas, revisores e redatores técnicos também aparecem entre os mais expostos.

Ranking das 40 profissões mais expostas à IA

Fonte: Microsoft Research – análise de aplicabilidade da inteligência artificial nas tarefas profissionais.

ProfissãoCoberturaConclusãoAplicabilidade Geral
1Intérpretes e Tradutores0,980,880,49
2Historiadores0,910,850,48
3Atendentes de passageiros0,800,880,47
4Representantes de Vendas de Serviços0,840,900,46
5Escritores e Autores0,850,840,45
6Programadores de ferramentas CNC0,900,870,44
7Representantes de Atendimento ao Cliente0,720,900,44
8Operadores de telefone0,800,860,42
9Educadores de Gestão Agrícola e Doméstica0,770,910,41
10Locutores e DJs de rádio0,740,840,41
11Escriturários de corretoras0,740,890,41
12Agentes de bilhetes e atendentes de viagens0,710,900,41
13Concierges0,700,880,40
14Telemarketing0,660,890,40
15Matemáticos0,910,740,39
16Cientistas políticos0,770,870,39
17Analistas de notícias, repórteres e jornalistas0,810,810,39
18Revisores e marcadores de cópias0,910,860,38
19Redatores técnicos0,830,820,38
20Professores de Administração (Ensino Superior)0,700,900,37
21Editores0,780,820,37
22Anfitriões e anfitriãs0,600,900,37
23Assistentes estatísticos0,850,840,36
24Assistentes de contabilidade0,720,870,36
25Demonstradores e promotores de produtos0,640,880,36
26Agentes de vendas de publicidade0,660,900,36
27Cientistas de dados0,770,860,36
28Especialistas em relações públicas0,630,900,36
29Atendentes de balcão e de locação0,620,900,36
30Geógrafos0,770,830,35
31Modelos0,640,890,35
32Arquivistas0,660,880,35
33Professores de Economia (Ensino Superior)0,680,900,35
34Operadores de central telefônica0,680,860,35
35Desenvolvedores web0,730,860,35
36Operadores de telecomunicações de segurança pública0,660,880,35
37Consultores financeiros pessoais0,690,880,35
38Analistas de gestão0,680,900,35
39Analistas de pesquisa de mercado0,710,900,35
40Professores de Biblioteconomia (Ensino Superior)0,650,900,34

Como a exposição foi medida

A Microsoft utilizou três indicadores principais:

Cobertura: frequência com que tarefas ligadas à profissão aparecem nas interações com o Copilot;

Conclusão: taxa de sucesso da IA na realização dessas tarefas;

Aplicabilidade geral: índice combinado que mede o potencial de apoio ou execução pela IA.

É importante destacar que exposição não significa substituição automática. O estudo indica potencial de automação ou apoio, mas não prevê a eliminação integral das funções.

Linguagem é o alvo principal

As ocupações mais expostas têm algo em comum: são intensivas em processamento de texto, pesquisa, análise de informação e comunicação.

No caso de intérpretes e tradutores, a pontuação de cobertura chegou a 0,98, indicando que quase todas as tarefas associadas à função aparecem nas conversas analisadas. A taxa de conclusão foi de 0,88, mostrando alta capacidade da IA em executar essas atividades.

Historiadores, escritores e profissionais de atendimento também registraram índices elevados.

Entre os 40 cargos analisados, a média de conclusão das tarefas foi de 0,87, um indicativo de que a IA já executa com eficiência grande parte das demandas que lhe são atribuídas nesse universo.

Jornalismo e profissões criativas também aparecem

Analistas de notícias, repórteres e jornalistas figuram na 17ª posição do ranking. Revisores, redatores técnicos e autores aparecem ainda mais acima.

Além das profissões criativas, funções técnicas como matemáticos, cientistas políticos e programadores também apresentam aplicabilidade moderada a alta.

O que muda na prática?

Apesar da alta exposição, o estudo reforça que a tendência não é necessariamente a substituição integral dos profissionais.

Funções que exigem julgamento humano, criatividade, contexto cultural e interação interpessoal tendem a ser transformadas, não eliminadas. A IA aparece como ferramenta de ampliação de produtividade.

Por outro lado, tarefas repetitivas, padronizadas e baseadas em processamento de informação tendem a passar por transformação mais acelerada.

Já ocupações que exigem esforço físico, atuação presencial ou tomada de decisão imediata, como operadores de máquinas, técnicos de manutenção e cuidadores, permanecem menos vulneráveis à automação generativa.

Enquanto funções baseadas em linguagem e processamento de informação lideram o ranking de exposição à inteligência artificial, ocupações que exigem atuação física, presença humana constante e tomada de decisão em ambientes dinâmicos aparecem entre as menos vulneráveis à automação generativa.

Segundo a análise da Microsoft Research, atividades que envolvem habilidades manuais, coordenação motora, percepção espacial e interação direta com pessoas tendem a apresentar menor aplicabilidade da IA.

Entre as profissões menos expostas estão:

  • Operadores de máquinas industriais;
  • Técnicos de manutenção e mecânicos;
  • Eletricistas;
  • Encanadores;
  • Trabalhadores da construção civil;
  • Cuidadores de idosos;
  • Auxiliares de enfermagem;
  • Motoristas de equipamentos pesados;
  • Trabalhadores rurais;
  • Profissionais de limpeza e conservação;
  • Bombeiros;
  • Policiais;
  • Técnicos de campo;
  • Profissionais de logística operacional;
  • Instaladores técnicos.

Essas ocupações exigem execução presencial, adaptação a ambientes imprevisíveis e tomada de decisão contextual em tempo real, elementos que, até o momento, apresentam maior complexidade para automação por sistemas de IA generativa.

Especialistas apontam, no entanto, que mesmo nessas áreas a tecnologia deve atuar como ferramenta de apoio, com uso crescente de sistemas inteligentes para diagnóstico, planejamento e monitoramento, sem substituição integral da força de trabalho.

Fontes:

Pesquisa Microsoft

Portal Visual Capitalist

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