Ranking aponta os principais polos de startups do mundo; Brasil avança e Espírito Santo busca consolidação.
Por Juba Paixão
Os ecossistemas de startups seguem em expansão global, mas um grupo restrito de países mantém a liderança na criação de ambientes favoráveis à inovação. É o que mostra o mais recente relatório do StartupBlink, responsável pelo Global Startup Ecosystem Index 2025/2026, referência internacional na análise de polos de empreendedorismo tecnológico.
Estados Unidos lideram com ampla vantagem

De acordo com o ranking, os Estados Unidos ocupam a primeira posição com pontuação de 254,1 — mais de três vezes superior à do segundo colocado, o Reino Unido (70,7). Na sequência aparecem Israel (62,2), Singapura (54,7) e Canadá (45,4).
O levantamento considera três pilares principais:
- Quantidade: número de startups, aceleradoras e investidores;
- Qualidade: volume de investimentos e geração de empregos;
- Ambiente de negócios: infraestrutura digital, acesso à internet e condições regulatórias.
Na Europa, países como Suécia, Alemanha, França, Suíça e Holanda mantêm posições de destaque, sustentados por alta qualificação profissional e forte acesso a capital.
Nações menores, como Estônia e Lituânia, reforçam que escala territorial não é determinante quando há políticas públicas consistentes, digitalização avançada e segurança jurídica.
| Classificação | País | Pontuação |
|---|---|---|
| 1 | Estados Unidos | 254,1 |
| 2 | Reino Unido | 70,7 |
| 3 | Israel | 62,2 |
| 4 | Cingapura | 54,7 |
| 5 | Canadá | 45,4 |
| 6 | Suécia | 35,3 |
| 7 | Alemanha | 33,2 |
| 8 | França | 32,4 |
| 9 | Suíça | 31,7 |
| 10 | Holanda | 30,9 |
| 11 | Estônia | 30,7 |
| 12 | Austrália | 28,8 |
| 13 | China | 26,9 |
| 14 | Espanha | 23,2 |
| 15 | Finlândia | 22,9 |
| 16 | Irlanda | 21,2 |
| 17 | Dinamarca | 20,8 |
| 18 | Japão | 18,1 |
| 19 | Lituânia | 17,5 |
| 20 | Coreia do Sul | 16,6 |
Brasil no cenário global
O Brasil aparece como o principal ecossistema da América Latina no ranking da StartupBlink, figurando entre os 30 maiores polos globais. O país concentra a maior parte das startups da região e apresenta crescimento contínuo em volume de investimentos, apesar da desaceleração global de venture capital nos últimos anos.
Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), o Brasil reúne mais de 14 mil startups mapeadas. Já dados do Distrito e da Liga Ventures indicam que os maiores polos nacionais estão concentrados em:
- São Paulo (SP) – principal hub da América Latina;
- Florianópolis (SC);
- Belo Horizonte (MG);
- Curitiba (PR);
- Recife (PE).
Essas regiões se destacam por forte articulação entre universidades, centros de pesquisa, parques tecnológicos e políticas estaduais de incentivo à inovação.
Espírito Santo: em consolidação no mapa naciona
O Espírito Santo ainda não figura entre os principais polos nacionais em volume absoluto de startups, mas ganha relevância no cenário regional. Iniciativas voltadas à melhoria do ambiente de negócios, digitalização de processos e fortalecimento do ecossistema empreendedor contribuem para esse avanço.
Cidades como Vitória e Vila Velha concentram hubs de inovação, programas de pré-aceleração e integração com universidades. O estado também investe na simplificação da abertura de empresas e na ampliação de políticas de apoio via instituições como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), incubadoras, como a Tecvitória e outras instituições de fomento ao ecossistema de inovação.
Embora ainda distante dos grandes centros como São Paulo ou Florianópolis em número de startups e captação de venture capital, o Espírito Santo apresenta diferenciais competitivos:
- Ambiente regulatório mais ágil;
- Escala territorial que facilita articulação institucional;
- Crescente cultura de inovação no setor industrial e portuário;
- Expansão de programas públicos de incentivo.
Especialistas apontam que o desafio do estado está na ampliação do acesso a capital e na atração de fundos de investimento, além da consolidação de redes nacionais e internacionais.
O que define um polo competit
O ranking da StartupBlink reforça que a consolidação de um polo de startups depende da combinação entre:
- Capital humano qualificado;
- Infraestrutura digital robusta;
- Segurança jurídica e previsibilidade regulatória;
- Acesso a capital e mercados globais;
- Integração entre setor público, universidades e iniciativa privada.
O Brasil avança gradualmente nesses indicadores, mas ainda enfrenta desafios estruturais como burocracia, carga tributária complexa e instabilidade macroeconômica.
Fontes:
- StartupBlink – Global Startup Ecosystem Index 2025/2026
- Associação Brasileira de Startups – Mapeamento do ecossistema brasileiro
- Distrito – Relatórios de inovação e venture capital
- Liga Ventures – Estudos sobre hubs de inovação no Brasil
- Sebrae – Indicadores de empreendedorismo


