23 de setembro de 2026
Vitória, ES, Brasil

Spin-off da capixaba ISH se une à Tempest, da Embraer, e cria gigante brasileira de cibersegurança

Vision Cybersecurity e Tempest terão receita anual superior a R$ 700 milhões, cerca de 900 profissionais e mais de 600 clientes. Operação mantém Vitória entre os centros estratégicos da nova companhia.

Por Juba Paixão

Uma empresa que nasceu da trajetória de três décadas da capixaba ISH Tecnologia passa a protagonizar um dos maiores movimentos recentes do mercado brasileiro de cibersegurança. A Vision Cybersecurity, criada em 2026 a partir de uma cisão da ISH e controlada pela SPX Capital, vai combinar suas operações com a Tempest Security Intelligence, empresa de cibersegurança da Embraer.

A união dará origem a uma companhia ainda sem nome definido, com receita anual superior a R$ 700 milhões, cerca de 900 profissionais e mais de 600 clientes corporativos. O valor de R$ 700 milhões refere-se ao faturamento anual combinado das duas empresas — não ao valor da transação ou à avaliação de mercado da nova companhia.

O negócio será realizado por troca de ações, sem pagamento financeiro entre as partes. Com a nova estrutura societária, a SPX Capital será a maior acionista e controladora da companhia resultante, enquanto a Embraer permanecerá como acionista relevante. Os percentuais das participações não foram divulgados.

Uma história que começou no Espírito Santo

A origem capixaba é um dos aspectos relevantes da operação. A própria ISH Tecnologia informa que passou por um processo de cisão que deu origem à Vision Cybersecurity, estabelecendo estruturas especializadas para diferentes segmentos do mercado.

Com a reorganização, a ISH Tecnologia passou a concentrar sua atuação no setor público, com soluções para infraestrutura crítica, soberania digital e ambientes regulados. A Vision ficou direcionada às empresas privadas e aos ambientes digitais críticos.

A história que deu origem à Vision começou muito antes. A ISH está no mercado desde 1996, atuando na área de segurança da informação e infraestrutura de tecnologia.

A Vision, embora seja uma marca criada em 2026, herdou parte dessa experiência. A companhia passou ao controle da SPX Capital no início deste ano, dentro de uma estratégia de expansão no mercado de segurança cibernética.

Do outro lado da operação está a Tempest Security Intelligence, fundada no Recife em 2000. A companhia construiu sua trajetória principalmente no atendimento a grandes corporações e desenvolveu serviços e tecnologias de prevenção, monitoramento, resposta a incidentes e segurança ofensiva.

A Embraer começou a investir na Tempest em 2015 e assumiu seu controle em 2020. Com a combinação agora anunciada, a fabricante brasileira de aeronaves deixa a posição de controladora direta do negócio para tornar-se acionista relevante da nova companhia.

A união também reúne empresas com perfis comerciais complementares. A Tempest tem presença especialmente forte entre grandes corporações, enquanto a Vision atua em empresas de médio e grande porte. Segundo os executivos envolvidos na operação, existe pouca sobreposição entre as carteiras, abrindo espaço para que produtos e serviços de uma empresa sejam oferecidos aos clientes da outra.

Tecnologia para antecipar ataques

As duas companhias trabalham em diferentes frentes da cibersegurança, incluindo análise de vulnerabilidades e operação de Centros de Operações de Segurança (SOC, na sigla em inglês).

Essas estruturas combinam profissionais, processos e tecnologias para monitorar ambientes digitais, identificar ameaças, analisar ocorrências e responder a incidentes de segurança.

Um dos focos da companhia combinada será ampliar a chamada segurança preemptiva, modelo que busca identificar e neutralizar ameaças antes que elas se transformem em incidentes.

A estratégia ganha relevância diante da crescente sofisticação dos ataques digitais e da expansão da inteligência artificial, que vem modificando tanto as ferramentas de defesa quanto os recursos utilizados por criminosos cibernéticos. Vision e Tempest pretendem combinar tecnologias, inteligência sobre ameaças e suas respectivas bases de clientes para ganhar escala no Brasil e no exterior.

Vitória permanece no mapa da nova companhia

Para o Espírito Santo, a operação tem outro ponto importante: Vitória continuará integrando a estrutura regional do negócio.

Inicialmente, as marcas Vision e Tempest serão preservadas. As operações também continuarão independentes pelo menos até a conclusão do processo, com a manutenção das estruturas regionais da Vision em Vitória, da Tempest em Recife, além da operação em São Paulo.

A nova companhia será comandada por André Fleury, atual CEO da Vision Cybersecurity. João Lins, atual CEO da Tempest, assumirá a vice-presidência de Tecnologia e Inovação.

Do mercado brasileiro para o mundo

A estratégia é primeiro consolidar a companhia no mercado brasileiro e, posteriormente, avançar para a América Latina e a América do Norte.

O crescimento deverá ocorrer de forma orgânica, embora novas aquisições não estejam descartadas. A escala resultante da combinação também deverá permitir à empresa brasileira ampliar a competição com grandes companhias internacionais de cibersegurança.

Antes disso, porém, a operação precisa cumprir as etapas regulatórias. A conclusão do negócio está sujeita às aprovações previstas para esse tipo de transação, incluindo a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Para o Espírito Santo, a operação evidencia a capacidade de uma empresa de tecnologia nascida em Vitória de gerar negócios capazes de alcançar escala nacional. A experiência construída pela ISH ao longo de três décadas está agora presente em duas estruturas distintas: a própria ISH, concentrada no setor público, e a Vision Cybersecurity, voltada ao mercado privado e que passa a integrar uma operação de dimensão ainda maior.

Com a combinação entre Vision e Tempest, Vitória permanece conectada a uma nova etapa da cibersegurança brasileira, em uma companhia que reúne a experiência tecnológica originada na capixaba ISH, a trajetória da Tempest, o controle da SPX Capital e a participação societária da Embraer.

Fontes

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