O Brasil possui um dos principais polos de inovação do mundo. É o que mostra o levantamento “Mapped: The World’s Top Innovation Clusters”, publicado pelo Visual Capitalist com base no Global Innovation Index 2025, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI/WIPO).
Por Juba Paixão
O destaque brasileiro é São Paulo, que ocupa a 49ª posição entre os 100 maiores clusters de inovação do planeta. Com isso, o Brasil aparece com um único polo entre os 100 primeiros colocados.
O ranking considera os chamados clusters de inovação, regiões que concentram universidades, pesquisadores, inventores, empresas de tecnologia, startups, investimentos e atividades de pesquisa e desenvolvimento. A metodologia de 2025 passou a incorporar também dados de capital de risco (venture capital), além de patentes e publicações científicas.
Os grandes centros mundiais
Na liderança mundial está o cluster Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou, na China e em Hong Kong. Na sequência aparecem Tóquio–Yokohama, no Japão, e San Jose–San Francisco, nos Estados Unidos. Completam os cinco primeiros Pequim, na China, e Seul, na Coreia do Sul.
A concentração da inovação é expressiva: os 100 principais clusters respondem, conjuntamente, por aproximadamente 70% dos pedidos internacionais de patentes pelo sistema PCT e da atividade de acordos de capital de risco, além de cerca de metade das publicações científicas mundiais. Os dez primeiros, sozinhos, concentram aproximadamente 40% dos pedidos PCT e 35% da atividade de capital de risco.
A China lidera em quantidade de clusters, com 24 entre os 100 primeiros, seguida pelos Estados Unidos, com 22. Alemanha aparece com sete, enquanto Índia e Reino Unido possuem quatro cada.
Brasil: liderança latino-americana em produção de conhecimento
Embora o Brasil tenha apenas São Paulo entre os 100 maiores clusters, o resultado reforça a relevância do país no cenário internacional de inovação.
No Índice Global de Inovação 2025, o Brasil ocupa a 52ª posição entre as economias avaliadas e permanece classificado pela WIPO como uma economia que apresenta desempenho de inovação acima do esperado para seu nível de desenvolvimento.
O país também apresenta desempenho particularmente relevante em produção de conhecimento e tecnologia e em resultados criativos, ocupando a 50ª posição mundial em ambos os indicadores.
No caso de São Paulo, a WIPO aponta tecnologia médica como o principal campo de patentes do cluster e tecnologia como seu principal campo acadêmico.
Um sinal para o ecossistema brasileiro
O resultado mostra que a inovação não depende apenas da existência de empresas de tecnologia. Os grandes polos mundiais são formados pela combinação de universidades, centros de pesquisa, capital, empresas, startups, propriedade intelectual e profissionais qualificados.
Nesse sentido, a posição de São Paulo evidencia a capacidade brasileira de produzir conhecimento e transformá-lo em inovação. Ao mesmo tempo, o fato de apenas um cluster brasileiro aparecer no top 100 revela o desafio de descentralizar e ampliar os ecossistemas de inovação pelo território nacional.
Para estados como o Espírito Santo, o cenário também traz uma oportunidade: fortalecer a conexão entre universidades, empresas, governo, investidores e startups, criando condições para que novos polos regionais ganhem escala e relevância nacional e internacional.
O ranking do Visual Capitalist, portanto, não representa apenas uma fotografia dos atuais centros de inovação. Ele também ajuda a indicar onde estão os ecossistemas capazes de transformar ciência, tecnologia e capital em novos negócios, produtos e soluções para a sociedade.
Brasil no ranking
Brasil: 52º no Índice Global de Inovação
São Paulo: 49º maior cluster de inovação do mundo
América Latina: São Paulo é o principal cluster brasileiro e um dos dois únicos da região entre os 100 primeiros, ao lado da Cidade do México, que aparece em 79º.
Confira o ranking:
| Pos. | Cluster de inovação | País / território |
|---|---|---|
| 1 | Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou | China / Hong Kong |
| 2 | Tokyo–Yokohama | Japão |
| 3 | San Jose–San Francisco | Estados Unidos |
| 4 | Beijing | China |
| 5 | Seoul | Coreia do Sul |
| 6 | Shanghai–Suzhou | China |
| 7 | New York City | Estados Unidos |
| 8 | London | Reino Unido |
| 9 | Boston–Cambridge | Estados Unidos |
| 10 | Los Angeles | Estados Unidos |
| 11 | Osaka–Kobe–Kyoto | Japão |
| 12 | Paris | França |
| 13 | Hangzhou | China |
| 14 | San Diego | Estados Unidos |
| 15 | Nanjing | China |
| 16 | Singapore | Singapura / Malásia |
| 17 | Washington–Baltimore | Estados Unidos |
| 18 | Wuhan | China |
| 19 | Tel Aviv–Jerusalem | Israel |
| 20 | Seattle | Estados Unidos |
| 21 | Bengaluru | Índia |
| 22 | Amsterdam–Rotterdam | Países Baixos |
| 23 | Philadelphia | Estados Unidos |
| 24 | Chengdu | China |
| 25 | Daejeon | Coreia do Sul |
| 26 | Delhi | Índia |
| 27 | Munich | Alemanha |
| 28 | Nagoya | Japão |
| 29 | Xi’an | China |
| 30 | Berlin | Alemanha |
| 31 | Chicago | Estados Unidos |
| 32 | Stockholm | Suécia |
| 33 | Toronto | Canadá |
| 34 | Qingdao | China |
| 35 | Denver | Estados Unidos |
| 36 | Sydney | Austrália |
| 37 | Austin | Estados Unidos |
| 38 | Houston | Estados Unidos |
| 39 | Hefei | China |
| 40 | Zürich | Suíça |
| 41 | Taipei–Hsinchu | Taiwan |
| 42 | Copenhagen | Dinamarca |
| 43 | Cologne | Alemanha |
| 44 | Changsha | China |
| 45 | Barcelona | Espanha |
| 46 | Mumbai | Índia |
| 47 | Madrid | Espanha |
| 48 | Moscow | Rússia |
| 49 | 🇧🇷 São Paulo | Brasil |
| 50 | Tianjin | China |
| 51 | Minneapolis | Estados Unidos |
| 52 | Melbourne | Austrália |
| 53 | Raleigh | Estados Unidos |
| 54 | Stuttgart | Alemanha |
| 55 | Brussels–Antwerp | Bélgica |
| 56 | Milan | Itália |
| 57 | Chongqing | China |
| 58 | Istanbul | Türkiye |
| 59 | Atlanta | Estados Unidos |
| 60 | Helsinki | Finlândia |
| 61 | Dallas | Estados Unidos |
| 62 | Montréal | Canadá |
| 63 | Tehran | Irã |
| 64 | Frankfurt am Main | Alemanha |
| 65 | Eindhoven | Países Baixos |
| 66 | Vancouver | Canadá |
| 67 | Miami | Estados Unidos |
| 68 | Jinan | China |
| 69 | Cambridge | Reino Unido |
| 70 | Harbin | China |
| 71 | Dublin | Irlanda |
| 72 | Changchun | China |
| 73 | Portland | Estados Unidos |
| 74 | Vienna | Áustria |
| 75 | Shenyang | China |
| 76 | Pittsburgh | Estados Unidos |
| 77 | Oxford | Reino Unido |
| 78 | Phoenix | Estados Unidos |
| 79 | Mexico City | México |
| 80 | Zhengzhou | China |
| 81 | Xiamen | China |
| 82 | Rome | Itália |
| 83 | Cairo | Egito |
| 84 | Chennai | Índia |
| 85 | Oslo | Noruega |
| 86 | Kuala Lumpur | Malásia |
| 87 | Heidelberg–Mannheim | Alemanha |
| 88 | Dalian | China |
| 89 | Warsaw | Polônia |
| 90 | Lyon | França |
| 91 | Hamburg | Alemanha |
| 92 | Salt Lake City | Estados Unidos |
| 93 | Ningbo | China |
| 94 | Manchester | Reino Unido |
| 95 | Busan | Coreia do Sul |
| 96 | Ann Arbor | Estados Unidos |
| 97 | Göteborg | Suécia |
| 98 | Macau–Zhuhai | China |
| 99 | Ningde | China |
| 100 | Zhenjiang | China |
Fontes:
World Intellectual Property Organization (WIPO/OMPI), Global Innovation Index 2025. Ranking dos 100 principais clusters de inovação do mundo.
Visual Capitalist, com dados do Global Innovation Index 2025 – World Intellectual Property Organization (WIPO/OMPI).


